Durante décadas, possuir um portfólio extenso de marcas era sinônimo de poder no mundo corporativo. Empresas como Unilever , Nestlé e Kraft Heinz dominaram prateleiras e mentes com centenas de marcas espalhadas por diferentes categorias. Mas os tempos mudaram.

Durante décadas, possuir um portfólio extenso de marcas era sinônimo de poder no mundo corporativo. Empresas como Unilever, Nestlé e Kraft Heinz dominaram prateleiras e mentes com centenas de marcas espalhadas por diferentes categorias. Mas os tempos mudaram. E agora, parece que os impérios de marcas estão... derretendo.
Recentemente:
A Unilever anunciou a venda de sua divisão de sorvetes, incluindo a icônica Kibon, por €4,5 bilhões (Fonte: Reuters).
A Kraft Heinz estuda dividir a empresa, separando as operações de alimentos industrializados das linhas de consumo direto (Fonte: Bloomberg).
A Nestlé sinalizou saída do segmento de águas em diversos mercados, vendendo marcas como Pure Life e Poland Spring nos EUA (Fonte: CNBC).
Mas afinal, o que está por trás dessa desmontagem dos grandes portfólios?
Menos marcas, mais foco
As multinacionais estão revisando suas estratégias centenárias. A nova lógica é clara: foco extremo. Com margens de lucro pressionadas, inflação global e mudanças nos hábitos de consumo, manter um portfólio com dezenas ou centenas de marcas “meia boca” não faz mais sentido.
Essas empresas estão:
Cortando marcas com baixa margem ou pouca diferenciação.
Vendendo unidades inteiras para fundos de private equity.
Focando em menos marcas, com mais market share e maior eficiência operacional.
É a lógica do “less is more” aplicada ao branding corporativo.
A ascensão dos conglomerados reversos
Enquanto os grandes vendem marcas, as startups fazem o caminho inverso: começam enxutas, hiperfocadas em uma única dor, e depois expandem.
Pense na Nuggs, startup de nuggets veganos, que nasceu com um produto só e agora é uma holding chamada SIMULATE. Ou na Dr. Squatch, que começou com sabonetes masculinos naturais e hoje é um ecossistema de produtos de higiene para o público masculino.
É o conglomerado reverso: nascem de forma nichada, ganham mídia orgânica (geralmente nas redes sociais), constroem comunidade, validam o modelo, e só então expandem para outros SKUs e canais. Elas não querem dominar o supermercado.
Querem dominar a atenção.
O novo jogo: rentabilidade e atenção
O que estamos assistindo é uma reconfiguração completa da indústria de consumo:
1. Margem e eficiência no centro da estratégia
Com custos logísticos e operacionais em alta, a eficiência operacional virou prioridade. Isso exige portfólios mais simples, menos SKUs e mais automação. Segundo a McKinsey, empresas com foco em simplificação de portfólio têm um crescimento de margem EBITDA até 20% superior aos concorrentes com portfólios fragmentados (Fonte).
2. Bastidores mais ativos do que nunca
Enquanto as marcas desaparecem das prateleiras, nos bastidores o jogo é intenso. Private equities estão comprando divisões de grandes conglomerados, fazendo spin-offs, M&As e criando “novos gigantes silenciosos”. A venda da divisão de sorvetes da Unilever é um exemplo: quem comprou foi a CVC Capital Partners, que já investiu em empresas como a RAC (locadora de carros) e a Breitling (relógios de luxo).
3. Atenção virou o novo petróleo
Hoje, a marca que consegue atenção escalável cresce mesmo sem estar nos maiores varejistas. Marcas DTC (Direct to Consumer), como a brasileira Bento Store, a americana Glossier ou a fitness Gymshark, mostraram que é possível construir impérios de comunidade antes mesmo de construir portfólios de produtos.
O que isso significa para as empresas?
Para as grandes: foco, eficiência e retorno para o core business. Para as pequenas: criatividade, velocidade e branding nichado.
Estamos vendo uma inversão de papéis:
Antes, as grandes lançavam e as pequenas copiavam.
Agora, as pequenas inovam e as grandes compram.
O tabuleiro mudou
O jogo não acabou. Só mudou de tabuleiro.
Agora, não é mais sobre quem tem mais marcas — é sobre quem entende melhor seu público, domina sua narrativa e entrega valor de forma enxuta, rápida e escalável.
Se você tem uma marca, uma startup ou uma ideia, essa é a sua chance. Nunca foi tão possível competir com gigantes — desde que você jogue o jogo novo: nicho, tração, comunidade, expansão.
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