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A Nvidia faturou US$ 68 bilhões em um trimestre — e isso diz tudo sobre onde o dinheiro de IA está indo

Sabe aquele cara que vende pá durante a corrida do ouro? Pois é. A Nvidia é exatamente esse cara — e ela acabou de anunciar que vendeu mais pás do que nunca.


No dia 25 de fevereiro de 2026, a Nvidia divulgou seus resultados do quarto trimestre fiscal — e os números são de outro mundo. A empresa registrou US$ 68,1 bilhões em receita em apenas três meses. Isso é mais do que o PIB anual de vários países, faturado em um único trimestre. Para IA, especificamente, os dados são ainda mais absurdos: o negócio de data centers da Nvidia — onde estão as GPUs que rodam praticamente todos os grandes modelos de linguagem do planeta — gerou US$ 62,3 bilhões, uma alta de 75% em relação ao mesmo período do ano anterior.


No ano fiscal completo, a receita total chegou a US$ 215,9 bilhões — crescimento de 65% sobre o ano anterior. Fonte: comunicado oficial da Nvidia ao mercado, divulgado diretamente pelo Newsroom da empresa.


Quem está comprando todas essas GPUs?


Só o negócio de data centers da Nvidia cresceu 75% em um ano. Para entender o tamanho disso: a empresa estava faturando US$ 47,5 bilhões por trimestre em data centers há um ano. Hoje são US$ 62,3 bilhões. Esse dinheiro vem majoritariamente de Microsoft Azure, AWS, Google Cloud e Meta — que estão construindo os maiores data centers da história da humanidade para hospedar modelos como GPT-4o, Gemini Ultra, Llama e Claude.


O ponto de inflexão dos agentes chegou

A frase que mais chamou minha atenção na call com analistas não foi sobre os números. Foi Jensen dizendo que "o ponto de inflexão dos agentes de IA chegou." Agentic AI — sistemas que não apenas respondem perguntas mas executam tarefas complexas, tomam decisões encadeadas e operam com autonomia — está começando a ser adotado em escala por empresas ao redor do mundo.


Isso importa porque muda a escala de uso de computação. Um usuário fazendo uma pergunta a um chatbot consome muito menos GPU do que um agente rodando dezenas de tarefas em paralelo, 24 horas por dia, sete dias por semana. Ou seja: se agentes virarem produto de prateleira nas empresas, a demanda por GPUs explode de um jeito que faz o crescimento atual parecer modesto.


A própria Nvidia está apostando nisso. Ela dividiu pela primeira vez o dado de receita de data centers entre "computação" (US$ 51 bilhões, principalmente GPUs) e "produtos de rede" (US$ 11 bilhões, incluindo NVLink — a tecnologia que conecta múltiplas GPUs para rodar modelos enormes). O networking cresceu porque os clusters de IA estão ficando cada vez maiores.


O que a maioria está errando (inclusive no Brasil)

Tenho conversado com muitos executivos brasileiros sobre IA. E o erro mais comum que vejo é tratar isso como projeto de TI. "Vamos fazer um piloto." "Vamos contratar uma consultoria." "Vamos esperar amadurecer."


O problema é que enquanto você espera "amadurecer", as empresas que estão na fila para comprar GPU da Nvidia estão construindo vantagem competitiva de verdade. Não estou falando de experimentar ChatGPT no celular. Estou falando de redefinir processos inteiros, eliminar camadas de trabalho burocrático e criar produtos que seriam impossíveis sem IA.


Os dados da Nvidia não mentem: US$ 215 bilhões em um ano fiscal. Crescimento de 65%. Esse dinheiro não saiu do nada — saiu das empresas que decidiram apostar. E a curva está ficando mais íngreme, não mais suave. Não tem "esperar o bom momento." O bom momento foi ontem.


Há um detalhe nos resultados da Nvidia que pouca gente comentou: a empresa não registrou nenhuma receita vinda de chips exportados para a China — mesmo depois que o governo americano levantou algumas restrições. A CFO da empresa foi clara: os competidores chineses, impulsionados por IPOs recentes, estão avançando e "têm potencial para perturbar a estrutura global da indústria de IA no longo prazo." (Então a corrida é global, geopolítica e sem árbitro neutro. Diversão garantida.)


No fim, o que os números da Nvidia mostram é simples: a corrida pela IA não é uma promessa futura. Ela está acontecendo agora, em escala industrial. A questão não é mais "quando devo entrar?" — é "por que ainda não entrei?"


Se você quer entender como traduzir tudo isso em estratégia real para o seu negócio, tenho falado sobre IA para executivos e líderes no Brasil e no mundo. Acesse gustavocaetano.com e conheça a palestra sobre IA — ela foi feita exatamente para quem precisa sair do "entendimento intelectual" e partir para a ação concreta.

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