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Ciclos de Benner e Ciclos de Kondratiev: Padrões Econômicos que Moldam o Mundo


Hoje, vamos mergulhar em dois conceitos fascinantes da economia: os Ciclos de Benner e os Ciclos de Kondratiev. Esses ciclos, desenvolvidos por pensadores visionários do século XIX e XX, ajudam a explicar os altos e baixos da economia global ao longo do tempo.


Embora não sejam infalíveis, eles oferecem insights valiosos para investidores, historiadores econômicos e qualquer pessoa interessada em entender por que a economia parece se repetir em padrões previsíveis. Vamos explorar cada um deles, suas origens, mecanismos e relevância atual.


Os Ciclos de Benner: Previsões Baseadas em Commodities e Astronomia

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Os Ciclos de Benner foram propostos por Samuel Benner, um fazendeiro e matemático americano, em 1875. Benner observou padrões repetitivos nos preços de commodities agrícolas e industriais, como o ferro-gusa (pig iron), e ligou esses ciclos a fenômenos naturais, incluindo ciclos solares que afetam as colheitas. Ele acreditava que variações no ciclo solar de aproximadamente 11 anos influenciavam a produtividade agrícola, impactando a oferta, a demanda e, consequentemente, os preços e a economia como um todo.


O modelo de Benner é composto por ciclos interligados:

  • Ciclo de picos de preços: Sequência de 8-9-10 anos para altas nos preços de commodities.

  • Ciclo de baixos de preços: Padrão de 11-9-7 anos para quedas.

  • Ciclo de mercado mais amplo: Um padrão de 16-18-20 anos que alterna entre "bons tempos" (crescimento e prosperidade), "tempos difíceis" (recessões) e "anos de pânico" (crises financeiras graves).


Além disso, Benner incorporou um ciclo de 27 anos, que divide os anos em favoráveis e desfavoráveis para investimentos no mercado de ações. Por exemplo, ele previu com precisão eventos como a Grande Depressão de 1929 e, segundo alguns analistas, até a crise financeira de 2008. Críticos argumentam que o ciclo é uma "ilusão mental", baseado em padrões retrospectivos que nem sempre se sustentam, mas defensores apontam para uma taxa de acerto de até 90% em previsões históricas.


Em termos práticos, os Ciclos de Benner são usados por investidores para antecipar booms e busts. Por exemplo, em discussões recentes de 2025, analistas debateram se o ciclo previa uma recessão iminente, ligando-o a padrões solares e recessões passadas.


Os Ciclos de Kondratiev: Ondas Longas Impulsionadas pela Inovação Tecnológica

Avançando para o século XX, os Ciclos de Kondratiev, ou "ondas longas", foram teorizados pelo economista russo Nikolai Kondratiev na década de 1920. Kondratiev analisou dados históricos de preços, salários e produção para identificar ondas econômicas de longa duração, tipicamente de 40 a 60 anos, que afetam todos os setores da economia. Diferente de ciclos curtos como os de negócios (cerca de 7-11 anos), essas ondas são impulsionadas por inovações tecnológicas radicais que transformam a sociedade.


Cada onda de Kondratiev passa por quatro fases:

  1. Expansão (Primavera): Introdução de novas tecnologias, crescimento econômico acelerado.

  2. Estagnação (Verão): Saturação do mercado, inflação e desigualdades crescentes.

  3. Recessão (Outono): Crises financeiras, depressões.

  4. Recuperação (Inverno): Ajustes estruturais preparando o terreno para a próxima onda.


Kondratiev identificou ondas históricas:

  • 1ª Onda (1780s-1840s): Revolução Industrial, com máquinas a vapor e têxteis.

  • 2ª Onda (1840s-1890s): Ferrovias e aço.

  • 3ª Onda (1890s-1930s): Eletricidade, química e automóveis.

  • 4ª Onda (1930s-1970s): Petróleo, eletrônicos e aviação.

  • 5ª Onda (1970s-2010s/2020s): Tecnologias da informação, internet e telecomunicações.

  • 6ª Onda (em curso?): Potencialmente biotecnologia, inteligência artificial, energias renováveis e nanotecnologia.


Fatores como guerras, revoluções e a entrada de novos países no mercado global também influenciam essas ondas, segundo Kondratiev. Estudos recentes, como um de 2023, questionam se as ondas são exatamente de 50 anos, mas confirmam padrões cíclicos em dados econômicos e financeiros.


Comparação entre os Dois Ciclos: Semelhanças e Diferenças

Ambos os ciclos buscam explicar flutuações econômicas de longo prazo, mas diferem em escopo e foco. Os Ciclos de Benner são mais curtos (até 27 anos) e ligados a commodities e ciclos naturais, como o sol, tornando-os úteis para previsões de mercado de ações e recessões iminentes. Já os Ciclos de Kondratiev são mais amplos (40-60 anos), enfatizando inovações tecnológicas como motor de mudança, e explicam transformações estruturais na economia global.


Semelhanças incluem a ideia de que a economia não é linear, mas cíclica, influenciada por fatores externos. Ambos foram usados para prever crises: Benner para 1929, Kondratiev para padrões que se alinharam com a Grande Depressão e a estagflação dos anos 1970. No entanto, nenhum é uma ciência exata – eles são ferramentas para análise, não profecias.


Relevância Atual em 2026

Em janeiro de 2026, esses ciclos continuam relevantes. Pelo modelo de Benner, analistas sugerem que estamos em um período de "tempos difíceis", possivelmente alinhado com volatilidades recentes no mercado, como impactos de inflação pós-pandemia e tensões geopolíticas. Para Kondratiev, muitos acreditam que estamos na transição para a 6ª onda, impulsionada por IA e sustentabilidade, o que poderia levar a um novo boom econômico nos próximos anos.


Investidores usam esses ciclos para diversificar portfólios: durante "bons tempos" de Benner, apostar em ações; em ondas de Kondratiev, investir em tecnologias emergentes.


Conclusão

Os Ciclos de Benner e Kondratiev nos lembram que a economia é um organismo vivo, influenciado por natureza, inovação e história. Embora não garantam o futuro, eles incentivam uma visão de longo prazo. Se você é investidor ou apenas curioso, estudar esses padrões pode ajudar a navegar melhor as incertezas econômicas. O que você acha? Deixe um comentário abaixo com suas opiniões sobre ciclos econômicos!


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