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A China tomou o ranking de IA open source — e ninguém no Brasil está prestando atenção

Olha o ranking de modelos de IA open source desta semana no OpenRouter — a maior plataforma de acesso a modelos do mundo, com milhões de usuários reais — e me diz o que você vê.


1º lugar: MiniMax M2.5. Chinês.


2º lugar: Kimi K2.5. Chinês.


3º lugar: GLM 5. Chinês.


O 4º é o Gemini Flash da Google. O 5º, DeepSeek — também chinês. Os EUA aparecem como coadjuvantes no próprio jogo que criaram.


O modelo que ninguém conhece dominou 5.405% em uma semana

O MiniMax M2.5 chegou ao topo do ranking do OpenRouter com 2,83 trilhões de tokens consumidos nesta semana — crescimento de 197% em relação à semana anterior. Segundo os dados históricos da plataforma (openrouter.ai/rankings), foi um salto sem precedente na velocidade de adoção de qualquer modelo.


Mas o que é esse modelo? Poucos sabem. A MiniMax é uma startup de Shanghai fundada em 2021. Discretíssima. Sem hype de bilionário americano no Twitter. Sem conferência de imprensa. Eles simplesmente lançaram o modelo no GitHub (github.com/MiniMax-AI/MiniMax-M2), colocaram licença MIT — ou seja, qualquer um pode usar, modificar e distribuir — e o mercado foi atrás.


Tecnicamente, o M2.5 é um modelo MoE — Mixture of Experts, que funciona mais ou menos como um time de especialistas onde só os mais relevantes são acionados a cada pergunta. São 230 bilhões de parâmetros no total, mas apenas 10 bilhões ficam ativos em cada inferência. O resultado: velocidade de modelo pequeno, inteligência de modelo grande. Custo operacional na casa de um terço do que custaria usar um modelo denso equivalente.


Os benchmarks publicados no repositório oficial mostram o M2.5 com 75.7 pontos no GAIA (avaliação de agentes de IA em tarefas do mundo real), 44 pontos no BrowseComp (navegação e pesquisa na web) e 69.4 no SWE-bench Verified (resolução autônoma de bugs em código real). São métricas verificáveis, não marketing.


Quando o open source vira estratégia geopolítica

Pensa comigo. Quando a China open sourcea um modelo de ponta, ela não está sendo generosa. Ela está jogando xadrez.


A lógica é simples: se o mundo inteiro adota sua infraestrutura de IA — seus modelos, seus formatos, suas APIs — quem define os padrões é você. É o mesmo que aconteceu com o Linux nos servidores, com o Android nos celulares. Você distribui de graça, o mundo constrói em cima, e a dependência se instala sem que ninguém perceba.


Os dados do OpenRouter mostram que, nesta semana, minimax e moonshotai (Kimi) juntos respondem por quase 20% de todos os tokens processados na plataforma. Some o DeepSeek: passamos de 29%. Quase um terço da infraestrutura de IA da maior plataforma do mundo está rodando em modelos chineses open source — e isso é dado público, verificável, agora.


A Anthropic? 14% de market share. A OpenAI? 8%. Isso não é opinião minha — são os dados da própria plataforma.


O que o Brasil está errando — e o que poderia estar fazendo

Vou ser direto: a maioria das empresas brasileiras ainda está numa discussão de 2023 sobre "usar ou não usar IA". Enquanto isso, a China está definindo qual IA o mundo vai usar.


O que me inquieta não é a competição entre países. É que os modelos open source chineses estão sendo adotados massivamente por desenvolvedores ao redor do mundo — incluindo no Brasil — sem que as lideranças empresariais percebam que isso mudou o jogo de custo e acesso.


Um modelo como o MiniMax M2.5 — gratuito, open source, rodando localmente se quiser — muda o cálculo de qualquer startup ou empresa de médio porte que está pagando caro por API de IA proprietária. A pergunta que os CTOs brasileiros deveriam estar fazendo hoje não é "qual modelo da OpenAI usamos", mas "qual modelo faz sentido para o nosso caso de uso, no nosso custo, com nossa soberania de dados".


Isso não é torcer para a China. É entender o mapa do jogo.


Toda semana um novo modelo chinês aparece no topo do ranking. Toda semana a conversa nas empresas brasileiras é sobre regulação de IA, sobre risco, sobre "esperar para ver". A China não está esperando. E o ranking desta semana é a prova mais concreta disso.


Se você quer entender como navegar esse novo cenário de IA — onde o poder já não está só no Silicon Valley — tenho falado sobre isso em palestras para líderes e equipes no Brasil inteiro. O link está aqui: gustavocaetano.com

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