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A empresa que captou R$ 640 bilhões em um único dia — e ninguém no Brasil estava prestando atenção

Na sexta-feira passada, a OpenAI anunciou uma rodada de captação de US$ 110 bilhões — o equivalente a mais de R$ 640 bilhões. Em um único dia. De uma empresa que não tem lucro líquido e cuja principal tecnologia você acessa pelo celular de graça.


Deixa eu te dar o número de novo, porque ele merece ser lido devagar: US$ 110 bilhões. Numa única rodada. Vindo da Amazon (US$ 50 bilhões), da Nvidia (US$ 30 bilhões) e da SoftBank (US$ 30 bilhões). Avaliação pré-money da empresa: US$ 730 bilhões.


Para ter noção do tamanho disso: em março de 2025 — há menos de um ano — a empresa havia captado US$ 40 bilhões numa avaliação de US$ 300 bilhões. Isso já era recorde mundial de captação privada na época. Agora a OpenAI pulverizou o próprio recorde com uma rodada quase três vezes maior.


Lendo o comunicado oficial da OpenAI, fica claro o que está em jogo. A empresa declarou: a liderança será definida por quem conseguir escalar infraestrutura rápido o suficiente para atender à demanda. Traduzindo: a corrida não é mais sobre quem tem o modelo mais inteligente. É sobre quem tem os data centers, os chips e os contratos para rodar esse negócio em escala planetária.


Veja como os parceiros entram nessa lógica: a Amazon vai hospedar os modelos da OpenAI no Bedrock, com compromisso de consumo de pelo menos 2 gigawatts de computação nos chips Trainium. A Nvidia entra com 3 gigawatts de capacidade de inferência nos novos chips Vera Rubin — hardware de próxima geração que mal acabou de ser anunciado. A rodada ainda está aberta, com mais investidores esperados nas próximas semanas.


Tem um detalhe que quase ninguém menciona: uma parte significativa desse dinheiro não é dinheiro de verdade. É crédito em serviços. A Amazon não está depositando US$ 50 bilhões na conta da OpenAI — está comprometendo capacidade computacional em AWS. O mesmo vale para a Nvidia. Isso é comum em rodadas de tech, mas muda o tamanho real do cheque. Além disso, US$ 35 bilhões do investimento da Amazon são condicionais — só chegam quando "certas condições forem atendidas", que podem incluir atingir AGI ou um IPO até o fim de 2026. (Sim, a pressão por IPO nunca para, né?)


Mas mesmo com esses ajustes, o número é absurdo. A OpenAI saiu de US$ 300 bilhões de valuation em março de 2025 para US$ 730 bilhões agora. Em menos de um ano. O ChatGPT tem 900 milhões de usuários ativos semanais — número confirmado pela própria empresa esta semana. Isso é quase o equivalente à população da Índia usando o produto toda semana.


Vou ser direto: a maioria das empresas brasileiras ainda está na fase de "fazer um piloto de IA". Enquanto isso, três das maiores empresas do mundo acabaram de firmar acordos que vão ditar quem controla a infraestrutura de IA pelos próximos dez anos. Isso não é exagero — é o que acontece quando os maiores players da tech definem quem vai ser a camada fundamental da computação global.


Não estou dizendo que toda empresa precisa levantar US$ 110 bilhões. Estou dizendo que toda empresa precisa ter uma resposta clara para a pergunta: em qual camada da IA você vai competir? Produto? Distribuição? Integração? Dados proprietários? Quem não tiver essa resposta em 2026 vai virar cliente de quem tem. E os preços de ser cliente estão sendo definidos agora, por Amazon, Nvidia e OpenAI, num acordo que a maioria não percebeu enquanto acontecia.


Quando a Amazon, a Nvidia e a SoftBank colocam US$ 110 bilhões numa empresa, elas estão apostando que essa empresa vai ser a camada fundamental pela qual a maior parte do processamento de IA vai passar. Se der certo, todo mundo que construiu negócio em cima disso paga pedágio. Para sempre.


A pergunta que fica não é "a OpenAI vai valer US$ 1 trilhão?". A pergunta que importa é: o que você vai fazer enquanto esses trilhões estão sendo investidos para definir as regras do jogo que você vai jogar nos próximos anos?


Se você quer entender como navegar esse novo cenário — como líderes e empreendedores brasileiros podem tomar decisões estratégicas de IA sem depender de um bilhão de dólares — é exatamente isso que eu abordo nas minhas palestras sobre empreendedorismo. Acesse gustavocaetano.com e veja como levar esse debate para dentro da sua empresa.







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