A Empresa que Demitiu 4.000 Pessoas e Viu as Ações Subirem 24% no Mesmo Dia
- Gustavo Caetano
- há 8 horas
- 3 min de leitura
Na quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, Jack Dorsey acordou e mandou um recado para o mundo corporativo: metade da sua empresa acabou de ser dispensada. Mais de 4.000 pessoas. De uma tacada só.
A Block — empresa de pagamentos fundada por Dorsey que opera o Square, o Cash App e até o Tidal — foi de 10 mil funcionários para menos de 6 mil em um único dia. A reação do mercado? As ações subiram mais de 24% no after-hours. O mercado adorou. (Sim, demitir metade da empresa virou estratégia de valorização. Estamos bem.)
O Argumento da IA: Real ou Desculpa?
O comunicado oficial da Block foi direto: os cortes vão posicionar a empresa para "se mover mais rápido com equipes menores e altamente talentosas usando IA para automatizar mais trabalho". A CFO Amrita Ahuja disse exatamente isso.
Mas espera. Um relatório da Forrester Research publicado em janeiro de 2026 lançou dúvidas sobre o quanto dessa narrativa é real. A pesquisa sugere que muitos dos layoffs corporativos anunciados "por causa da IA" são, na prática, movimentos financeiros com a IA servindo de justificativa palatável. A IA virou o novo "reestruturação estratégica" — aquela frase que aparecia nos press releases dos anos 90 quando a empresa só queria cortar custos.
Não estou dizendo que a IA não substitui funções. Ela substitui. Mas tem uma diferença enorme entre "automatizamos processos com IA e algumas funções deixaram de existir" e "demitimos metade da empresa e culpamos os algoritmos". A Block pode estar em qualquer ponto desse espectro — e só os resultados operacionais dos próximos trimestres vão dizer qual é.
Os Números que Ninguém Está Contextualizando
Olha o tamanho disso. Em 2026, até agora (estamos em fevereiro), o site layoffs.fyi já rastreia mais de 29.570 demissões em tecnologia, em 45 empresas. Em 2025 inteiro foram 124.201 demissões em 271 empresas. Em 2024, mais de 152.000.
A Block não está sozinha nessa narrativa. Salesforce e Amazon também fizeram cortes massivos citando "ganhos com IA". O padrão está se estabelecendo: empresa anuncia layoff, cita IA como razão, mercado aplaude, ações sobem. É uma fórmula que começa a parecer roteiro.
O próprio Dorsey disse algo que merece atenção: "Em menos de um ano, a maioria das empresas vai chegar ao mesmo lugar." Ele não estava sendo sutil. Estava avisando. Ou talvez tentando normalizar o que acabou de fazer — difícil saber. Mas eu acredito que ele acredita no que disse.
O Que as Empresas Brasileiras Deveriam Aprender Com Isso
Primeiro: não é para sair demitindo metade da empresa e gritar "IA!" como se isso fosse estratégia. Isso é pânico com marketing melhor.
O que o caso da Block ensina de verdade é que as empresas que não estiverem usando IA para aumentar a capacidade de entrega das suas equipes vão, cedo ou tarde, se ver pressionadas a reduzir headcount para compensar ineficiência. A escolha é simples: ou você usa IA para crescer com a mesma equipe, ou alguém vai usar IA para crescer com menos gente do que você.
No Brasil, a maioria das empresas ainda está no estágio de "vamos testar um chatbot no atendimento". Isso já é melhor do que nada. Mas a distância entre isso e o que está acontecendo nos Estados Unidos está aumentando em velocidade acelerada. E quando a gente perceber, a diferença competitiva vai ser enorme.
A pergunta que fica não é "a IA vai tomar empregos?" — essa discussão já era. A pergunta agora é: você está do lado de quem usa IA para criar vantagem competitiva, ou do lado de quem vai ser citado no press release de demissão como a razão pela qual o trabalho foi automatizado?
Se você quer entender como navegar essa transição sem virar estatística do layoffs.fyi, esse é exatamente o assunto que eu levo para palcos corporativos. Acessa gustavocaetano.com e vê o que a palestra sobre IA pode fazer pelo seu time.
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