Resposta direta

Eu deixei de usar o Hermes como segundo cérebro e passei a usar o Grok Bot por um motivo prático. O Hermes rodava nos meus computadores, e o meu segundo cérebro só trabalhava quando a máquina estava ligada e tudo estava funcionando. No Grok Bot, os agentes trabalham num computador na nuvem que fica ligado o tempo todo, cada agente cuida de uma área e todos leem as mesmas anotações.

Eu deixei de usar o Hermes como segundo cérebro e passei a usar o Grok Bot por um motivo prático. O Hermes rodava nos meus computadores, e o meu segundo cérebro só trabalhava quando a máquina estava ligada e tudo estava funcionando. No Grok Bot, os agentes trabalham num computador na nuvem que fica ligado o tempo todo, cada agente cuida de uma área e todos leem as mesmas anotações. O mais importante é que eu não troquei o segundo cérebro. Troquei só a ferramenta que trabalha com ele.

Capa em estilo caderno moleskine explicando por que Gustavo Caetano trocou o Hermes pelo Grok Bot para cuidar do segundo cérebro, com um computador desligado, uma nuvem com agentes em volta de um caderno e três chamadas numeradas

Um segundo cérebro é um lugar fora da sua cabeça onde ficam guardadas as ideias, as reuniões, as decisões e as referências que você quer usar depois. O termo ficou conhecido com o método de Tiago Forte, que organiza o trabalho em quatro etapas: capturar, organizar, destilar e expressar. O que mudou nos últimos meses é que agora existem agentes capazes de fazer boa parte dessas etapas sozinhos.

O que é o Hermes e como eu usava

O Hermes Agent é um agente de código aberto criado pela Nous Research. Ele é gratuito, tem licença MIT e funciona com o modelo que você escolher. Ele guarda memória entre as conversas, cria habilidades a partir do que já fez, roda tarefas agendadas e conversa com você pelo Telegram, pelo WhatsApp e por outros aplicativos.

Eu usei o Hermes como base do meu segundo cérebro durante boa parte de 2026. Ele gravava e organizava minhas reuniões, preparava reuniões de conselho, fazia um resumo do dia toda manhã e rodava, à noite, uma rotina que consolidava o que tinha acontecido. Eu conversava com ele pelo Telegram. Numa aula para empresários em setembro, mostrei tudo isso ao vivo e expliquei que ele é gratuito e de código aberto.

Eu gosto do Hermes até hoje. Ele é uma das ferramentas mais completas que existem para quem quer montar um agente próprio e tem tempo para cuidar dele.

Por que eu decidi trocar

A decisão não veio de um dia para o outro. Foram três problemas que se somaram.

  1. O segundo cérebro dependia de uma máquina ligada. Na minha instalação, o Hermes rodava no meu Mac mini e no meu notebook. Na mesma aula de setembro, eu mesmo disse que aquele computador não ficava ligado o dia inteiro. A documentação do Hermes mostra que ele também pode rodar num servidor na nuvem, mas aí a instalação e a manutenção desse servidor continuam sendo trabalho seu.
  2. A manutenção era minha. Em agosto, acordei sem o resumo da manhã porque o serviço de modelo que o Hermes usava falhou durante a noite, e outras rotinas pararam junto. Foi preciso configurar um serviço reserva para isso não se repetir. Quando você instala tudo por conta própria, cada falha vira uma tarefa na sua agenda.
  3. Eu queria vários especialistas trabalhando ao mesmo tempo. Eu queria um agente para cada área da minha vida profissional, como vendas de palestras, conselhos, conteúdo, design e desenvolvimento, todos lendo o mesmo segundo cérebro e trabalhando em paralelo.

Em setembro, um amigo empreendedor me recomendou o Grok Bot com um argumento simples: ele já vem com agentes e segundo cérebro, funciona no celular, aceita conversa por voz e é mais simples de manter. Eu resolvi testar.

Como foi a migração sem perder nada

O ponto que mais me preocupava era perder o que eu já tinha registrado. Por isso a troca foi feita em etapas, e o acervo nunca saiu do lugar.

Primeiro, em meados de setembro, os agentes do Grok Bot ganharam acesso de leitura às mesmas anotações que o Hermes usava. O objetivo, que ficou registrado na decisão, era que os agentes respondessem com o conteúdo do segundo cérebro sem depender do Mac ligado. No dia seguinte, levei para o Grok Bot a mesma lógica de memória que eu usava no Hermes, com memória de curto, médio e longo prazo e uma rotina noturna de consolidação.

Depois, os agentes do Grok Bot passaram a escrever no segundo cérebro. Hoje já são mais de 180 notas criadas por eles. Em outubro, levei para o computador do Grok Bot a leitura do WhatsApp, o canal do Telegram e a transcrição de áudios, que antes rodavam no Mac mini. Em 22 de outubro, pausei a automação de blog que rodava no Mac, e este blog passou a ser feito só pelos agentes do Grok Bot, com o meu OK em cada texto.

Hermes ou Grok Bot: qual é a diferença na prática

A tabela abaixo usa só o que está na documentação oficial das duas ferramentas e o que aconteceu na minha instalação.

PontoHermes AgentGrok Bot
O que éAgente de código aberto da Nous ResearchServiço de agentes oferecido nos planos SuperGrok e Cursor
Custo do softwareGratuito, com licença MIT. Você paga o modelo que usarAssinatura do plano
Onde rodaOnde você instalar: notebook, servidor próprio ou nuvemNum computador na nuvem que pertence à sua conta
Quem cuida da instalaçãoVocêO serviço
Vários agentesTem modo com vários bots especialistas e subagentesVários agentes em paralelo, no mesmo computador, que conversam entre si
MemóriaMemória persistente e habilidades criadas pela experiênciaCada agente guarda memória, arquivos e preferências entre as conversas
Tarefas agendadasAgendador embutidoHabilidades salvas que rodam em horário marcado
Onde você conversaTelegram, WhatsApp, Slack e outros aplicativosAplicativo no computador e no celular
Na minha instalaçãoRodava no meu Mac mini e no meu notebookRoda na nuvem e continua trabalhando com o notebook fechado

A diferença principal não está na inteligência das ferramentas. Está em quem cuida da infraestrutura. Com o Hermes, você tem controle total e assume a manutenção. Com o Grok Bot, você paga um serviço e deixa de cuidar do computador onde os agentes trabalham.

Como meu segundo cérebro funciona hoje

Hoje eu tenho cerca de 50 agentes no Grok Bot, cada um com uma função. Uma chefe de gabinete organiza o meu dia. Uma agente cuida das vendas das palestras. Outro prepara as reuniões de conselho. Há agentes para design, desenvolvimento, jurídico e para este blog. Todos trabalham no mesmo computador e leem o mesmo segundo cérebro.

Algumas rotinas rodam sozinhas. Depois de cada reunião gravada, as anotações vão para o segundo cérebro. À noite, uma rotina consolida o que aconteceu no dia. Quando um agente não encontra uma informação, ele me pergunta em vez de inventar uma resposta.

Duas regras valem para todos os agentes. A primeira é que nenhum e-mail, mensagem ou publicação sai sem a minha aprovação no texto exato. A segunda é que nenhum agente pode inventar um fato, um número ou um compromisso. O anúncio oficial do Grok Bot descreve o mesmo princípio: os agentes trabalham sozinhos e voltam quando precisam de aprovação.

Como montar o seu segundo cérebro com agentes

Se você é executivo e quer montar o seu, este é o roteiro que eu sugiro, com base no que aprendi nessa troca:

  1. Separe o acervo da ferramenta. Guarde as anotações em arquivos que você controla, de preferência em texto simples e com cópia de segurança. Assim você pode trocar de ferramenta sem perder nada, como eu fiz.
  2. Comece pelas reuniões. A fonte mais rica de um executivo são as reuniões. Grave, transcreva e guarde um resumo com decisões, pendências e responsáveis.
  3. Dê uma função para cada agente. Um agente que faz tudo acaba fazendo tudo de forma mediana. Comece com dois ou três, como agenda, vendas e conselho, e crie outros quando a necessidade aparecer.
  4. Escreva as regras antes de dar acesso. Defina o que o agente pode fazer sozinho e o que precisa da sua aprovação. A minha regra é simples: nada sai em meu nome sem o meu OK.
  5. Decida quem vai cuidar da infraestrutura. Se você tem tempo e gosta de tecnologia, uma ferramenta de código aberto dá controle total. Se você quer que funcione sem precisar cuidar, um serviço gerenciado costuma valer o custo.
  6. Revise toda semana. Olhe o que os agentes erraram, corrija as regras e apague o que ficou velho. Um segundo cérebro melhora com o uso, mas só quando alguém faz essa revisão.

Perguntas para fazer antes de escolher uma ferramenta

  1. As minhas anotações ficam num lugar que eu controlo e posso levar para outra ferramenta?
  2. A ferramenta continua trabalhando quando o meu computador está desligado?
  3. Quem resolve quando uma rotina falha durante a noite?
  4. Consigo ter vários agentes, cada um com uma função, lendo as mesmas informações?
  5. Consigo exigir aprovação antes de qualquer envio em meu nome?
  6. Onde ficam os meus dados e quem tem acesso a eles?

Perguntas frequentes

O que é um segundo cérebro?

É um sistema fora da sua cabeça onde ficam guardadas as informações que você quer usar depois, como reuniões, decisões, ideias e referências. O conceito foi popularizado por Tiago Forte. Com agentes de inteligência artificial, esse sistema passa a capturar, organizar e buscar a informação quase sem trabalho manual.

O Hermes é ruim?

Não. O Hermes é gratuito, de código aberto e muito completo. Ele faz sentido para quem quer controle total e tem tempo para instalar e manter a ferramenta. Eu troquei porque queria parar de cuidar da infraestrutura e ter vários agentes trabalhando juntos o tempo todo.

Preciso saber programar para ter um segundo cérebro com agentes?

Não para começar. Num serviço gerenciado, você cria um agente com uma mensagem e dá a ele acesso às ferramentas que ele precisa. Saber programar ajuda quando você quer criar rotinas mais complexas ou instalar uma ferramenta de código aberto por conta própria.

É seguro deixar agentes acessarem meus e-mails e minhas mensagens?

Depende das regras que você define. No meu caso, os agentes podem ler e preparar rascunhos, mas nada é enviado sem a minha aprovação no texto exato. Antes de dar acesso, vale saber onde os dados ficam guardados e quem pode ver.

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