Se ninguém na sua liderança sabe dizer o que vai decidir diferente na segunda-feira depois do curso, o treinamento de IA que vocês estão contratando vai virar certificado na parede. Só um terço dos funcionários diz que recebeu treinamento adequado em IA. O número é da pesquisa AI at Work 2025 da BCG, que ouviu mais de 10.600 líderes, gerentes e funcionários em 11 países e regiões.
Se ninguém na sua liderança sabe dizer o que vai decidir diferente na segunda-feira depois do curso, o treinamento de IA que vocês estão contratando vai virar certificado na parede.

Só um terço dos funcionários diz que recebeu treinamento adequado em IA. O número é da pesquisa AI at Work 2025 da BCG, que ouviu mais de 10.600 líderes, gerentes e funcionários em 11 países e regiões.
Na prática, muita gente já tem a ferramenta na mão e ainda não aprendeu a usar direito. E quando o RH vai atrás de um treinamento, encontra de tudo: curso de prompt, trilha online, palestra de inspiração, hackathon, imersão.
Quando me perguntam qual treinamento contratar para a liderança, eu devolvo outra pergunta: o que os seus líderes vão decidir diferente na segunda-feira depois do curso?
A resposta curta deste artigo é esta. Um bom treinamento de IA para líderes trabalha os problemas da sua empresa, termina com regras claras de uso e sai com ações que têm dono e prazo. As cinco perguntas abaixo servem para testar isso antes de assinar.
Por que treinar a liderança primeiro
A pesquisa da BCG mostra que o apoio da liderança muda o comportamento de quem está na ponta. A parcela de funcionários que se sente bem com a IA generativa sobe de 15% para 55% quando a liderança apoia de forma clara. Só um quarto dos funcionários da linha de frente diz receber esse apoio.
O mesmo estudo traz outro dado que interessa a quem compra treinamento. O uso frequente de IA é bem maior entre quem recebeu pelo menos cinco horas de treinamento e teve acesso a treinamento presencial e acompanhamento.
A Microsoft chegou a uma conclusão parecida no Work Trend Index 2025, que ouviu 31 mil pessoas em 31 países, incluindo o Brasil. Treinar quem já está na empresa aparece como a principal estratégia de pessoas para os próximos 12 a 18 meses, citada por 47% dos líderes. E 67% dos líderes dizem conhecer bem os agentes de IA (programas que executam tarefas sozinhos, como responder um cliente ou montar um relatório), contra 40% dos funcionários.
Juntando as duas pesquisas, o recado é simples. O líder que não entende IA não consegue apoiar o time, e o time sem apoio usa pouco ou usa escondido.
Pergunta 1. O programa trabalha os problemas da sua empresa ou exemplos genéricos?
Nas minhas palestras eu falo muito do caçador de vagalume. É o líder que troca de ferramenta toda hora (hoje um modelo, amanhã outro) e nunca resolve um problema de verdade.
Treinamento genérico fabrica caçador de vagalume. A pessoa sai sabendo dez truques e não sabe onde aplicar nenhum.
O que perguntar ao fornecedor:
- Existe uma conversa antes do programa para levantar os gargalos da empresa?
- Os exercícios usam processos e dados da própria empresa, ou casos de outros setores?
- Quem escolhe os problemas que serão trabalhados, o fornecedor ou a sua diretoria?
Se a resposta for "temos um conteúdo padrão que serve para todo mundo", o programa vai ensinar ferramenta, e ferramenta muda a cada trimestre.
Pergunta 2. A liderança sai com regras claras do que a IA pode e não pode fazer?
Sem regras, uma parte dos líderes trava o time por medo de errar e outra parte expõe a empresa sem perceber. Por isso o treinamento precisa terminar com um combinado simples.
Eu uso um semáforo com três cores:
- Verde: tarefas em que a IA pode executar sozinha, como resumir um documento interno ou montar a primeira versão de uma apresentação.
- Amarelo: tarefas em que a IA propõe e uma pessoa aprova, como uma resposta a cliente ou uma análise que vai para a diretoria.
- Vermelho: o que fica proibido, como colocar dados pessoais de clientes numa ferramenta não aprovada pela empresa.
A pesquisa da BCG mostra por que isso importa. Mais da metade dos funcionários diz que, quando não tem a ferramenta certa, procura outra por conta própria e usa assim mesmo. Sem regra, o uso acontece do mesmo jeito, só que fora do controle da empresa.
Pergunte ao fornecedor se o programa ajuda a montar essas regras com o jurídico, a segurança da informação e o RH, ou se deixa isso para depois.
Pergunta 3. Onde o programa coloca a energia da liderança?
Muito treinamento gasta o tempo todo com o futuro: robôs, agentes que vão substituir áreas inteiras, cenários para 2035. Isso dá uma palestra bonita e pouca coisa muda na empresa.
A divisão que eu recomendo é 70, 20 e 10:
- 70% da energia vai para o que já existe dentro da empresa, os gargalos que dão resultado rápido quando resolvidos.
- 20% vai para crescer o negócio atual, com clientes, parceiros e canais.
- 10% vai para exploração, onde a chance de erro é alta e o aprendizado é o objetivo.
Peça ao fornecedor a agenda hora a hora. Se a maior parte do tempo for sobre tendências e quase nada for sobre os processos de hoje, a proporção está invertida.
Pergunta 4. Como você vai medir se funcionou?
Treinamento de liderança costuma ser medido por pesquisa de satisfação no fim do dia. Nota alta na pesquisa mostra que as pessoas gostaram, e isso diz pouco sobre o que elas vão fazer depois.
No começo eu prefiro medir aprendizado antes de medir retorno financeiro. Em inglês o pessoal chama isso de return on learning. Na prática, são perguntas que dá para responder em 30, 60 e 90 dias:
- Quantos líderes estão usando IA pelo menos algumas vezes por semana no trabalho?
- Quantas das ações combinadas no treinamento já começaram?
- Algum processo ficou mais rápido ou mais barato, e quanto?
Combine essas métricas com o fornecedor antes do treinamento. Se ele não aceitar ser medido por elas, o programa provavelmente não foi desenhado para mudar o trabalho de ninguém.
Pergunta 5. Quem é dono das ações depois que o treinamento acaba?
O momento mais arriscado de um bom treinamento é a segunda-feira seguinte, quando todo mundo volta para a rotina, a agenda enche e o plano fica esquecido no slide.
O programa precisa terminar com poucas ações, cada uma com um responsável, um prazo e um patrocinador na diretoria. Três a cinco ações por grupo já é muito para uma área executar bem.
Pergunte também como fica o acompanhamento. Pode ser um ritual interno, uma sessão de revisão depois de 30 dias ou um advisory contínuo. O formato importa menos do que existir alguém cobrando.
Palestra, workshop ou imersão: qual formato escolher
Cada formato resolve uma parte do problema, e vale escolher pelo resultado que você quer:
- A palestra sobre IA serve para alinhar a empresa inteira numa mesma visão e criar urgência. Ela abre a conversa e não substitui o trabalho prático.
- O workshop serve para um grupo menor colocar a mão na massa num tema específico.
- A imersão serve para a liderança trabalhar os próprios gargalos durante um ou mais dias e sair com plano.
O 10X com IA Incompany é o formato que eu faço junto com o Arthur Pelegrino e o Lucas Gilbert para médias e grandes empresas. São dois dias presenciais, dentro da empresa ou num offsite, em que a liderança trabalha IA, crescimento e plano de ação a partir dos gargalos reais do negócio. Cada grupo sai com três a cinco ações práticas priorizadas.
Se você ainda está decidindo entre os formatos, escrevi um guia sobre palestra, workshop, imersão ou advisory. E se quer saber em que ponto a empresa está antes de treinar alguém, o teste de maturidade ajuda a começar pelo lugar certo.
Perguntas frequentes
Quanto tempo de treinamento a liderança precisa?
Não existe número mágico. A pesquisa da BCG indica que o uso frequente de IA é bem maior entre quem recebeu pelo menos cinco horas de treinamento com parte presencial e acompanhamento. Uma palestra de uma hora não chega lá sozinha. Ela funciona melhor como abertura de um programa maior.
O treinamento deve ser só para a diretoria ou para todos os gestores?
Eu começaria pela diretoria e pelos gestores que lideram times, porque são eles que dão o apoio que muda o comportamento da ponta. Depois o programa desce para as áreas, com exemplos de cada uma.
Precisa ensinar a usar uma ferramenta específica?
Ferramenta aparece quando faz sentido, mas não deve ser o centro. A ferramenta que a empresa usa hoje pode ser outra daqui a um ano. O que fica é saber escolher o problema, definir as regras de uso e medir o resultado.
Dá para fazer o treinamento online?
Dá, e para alinhar conceitos funciona bem. Para a liderança trabalhar os próprios gargalos e sair com plano, o presencial costuma render mais, e a pesquisa da BCG associa o treinamento presencial com acompanhamento a um uso maior da IA.
Próximo passo
Se a sua empresa está montando o plano de treinamento de 2027, comece levantando os três gargalos que mais custam tempo ou dinheiro hoje. Com essa lista na mão, qualquer fornecedor sério consegue montar um programa que resolve problema de verdade.
Se quiser levar o 10X com IA para dentro da sua empresa, conte o que vocês precisam aqui e eu respondo com uma proposta pensada para o seu caso.
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Fontes:
- BCG, AI at Work 2025: Momentum Builds, but Gaps Remain, 26/06/2025 (mais de 10.600 pessoas em 11 países e regiões).
- Microsoft, Work Trend Index 2025, 2025: The year the Frontier Firm is born, 23/04/2025 (31.000 pessoas em 31 países, Brasil incluído).
Quer transformar esta ideia em uma palestra, workshop ou advisory conectado ao desafio da sua empresa?